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A boneca de William – Menino também brinca de boneca

Posted on Jul 4, 2012 in Blog, Coisa de Criança | 12 comments

Encontrei um post no site “My Small Potates” (via Maternar Consciente), que mexeu muito comigo.

Isso porque ontem nasceu minha primeira sobrinha (é muito amor, gente! <3) e entre uma brincadeira e outra com os homens ali presentes, percebi como o mundo ainda esta muito machista.

A boneca de William é um livro de Charlotte Zolotow.

“A avó de William sorriu. “Ele precisa dela para abraçar, colocar no berço e levar para o parque de modo que quando ele crescer e for pai, ele saberá como cuidar de seu bebê.” William’s Doll by Chatlotte Zolotow.

Mesmo hoje essa idéia é desconfortável para muitas pessoas, imaginem então como isso foi revolucionário em 1972, quando o livro foi escrito.

A pergunta em questão é: porque ainda hoje essa idéia é desconfortável e estranha para muitas pessoas? Qual a melhor maneira de ajudar nossas crianças a serem pessoas mais carinhosas, pais cuidadosos, senão incentivando este tipo de brincadeira faz-de-conta?

São muitos os dilemas sociais sobre meninos brincarem com bonecas, o que eu realmente acho triste e atrasado. Num país tão machista e racista como o Brasil talvez estejamos ainda engatinhando nesse caminho de igualdade de deveres – e direitos- com as crianças.

Os meninos são excessivamente estimulados a brincadeiras agressivas, de luta, armas, carros. Depois de passar praticamente a infância inteira aprendendo somente isso, ainda queremos desses filhos, namorados, maridos, que eles sejam carinhosos, sensiveis e amáveis.

Queremos que este menino seja uma criança alegre e tranquila, um pai presente e carinhoso, mas nos esquecemos que de alguma forma estamos passando mensagens equivocadas sobre carinho e sensibilidade serem coisas de mulher.

Quando um garoto pega uma boneca, ele brinca, conversa com o bebê, dá mamadeira, troca a fralda, é natural. Mas se nessa hora alguém diz: “Que é isto? Menino brincando com boneca?”, seu rosto se fecha e ele fica com cara de decepção, de que fez coisa errada. E se esse menino chora depois dessa bronca, é possível que venha aquela velha e ridícula frase: “Menino não chora.”

Gente, o que estamos fazendo?

Devemos entender que brincar livremente é importante para o desenvolvimento infantil, independente do sexo da criança e da brincadeira. Se queremos um país mais justo, devemos párar de incentivar o preconceito e o machismo implícito em “brincadeiras”.

No post de Arlee, ela teve a oportunidade perfeita e contou para gente.
Ela estava cuidando de três meninos num final de semana; juntou três bonecas e tudo o que precisava para as brincadeiras: fraldas, xampu, mamadeira, roupinhas. E com o livro nas mãos leram juntos a historinha.

De início os meninos ficaram frustrados pois como William queria ganhar uma boneca de aniversário e seu irmão o chamou de maricas por influência de um garoto da vizinhança. A história continua com a avó de William ajudando-o a comprar sua boneca e tudo o que é necessário para cuidar de um bebê. Com isso, William fica aliviado e tranquilo e abraçava a sua nova boneca nos braços.

Com essa introdução à história, os três meninos e Arlee conversaram sobre os bebês e como eles precisam de amor e cuidados. Eles também falaram sobre como um dia eles podem ser pais e que precisam saber cuidar dos seus pequenos bebês. Ela conta que um dos meninos disse algumas qualidades que achava que poderiam torna-lo um bom pai e com isso tiveram uma grande conversa.

 

Outro menino falou que queria ser espião quando crescesse. Ela teve que tranquiliza-lo dizendo que ele poderia ser espião e um bom pai ao mesmo tempo…..hehehehhe

Eles brincaram de trocar as fraldas, de dar mamadeira, depois veio os arrotos; vocês imagimam como foi engraçado, particularmente para os meninos, essa parte com todos arrotando seus bebês.

Depois veio a hora do banho e o cuidado ao segurar a cabeça do bebê, e depois um pouco de carinho em seus slings.

Esse livro parece ser realmente maravilhoso e uma ótima oportunidade para conversar com os meninos sobre ser pai e sobre o cuidar. Mas tendo-o ou não em mãos, não deixem de brincar e conversar com as crianças sobre as responsabilidades da vida adulta. Você consegue passar, na linguagem da brindadeira, muito mais do que diversão. Você passa experiência, segurança e conhecimento.

Bom, muita coisa para pensar, né? Comente aqui para podermos continuar essa saudável discussão.
E como o dia dos “meninos crescidos” está chegando: Feliz Dia dos Pais!
:D

12 Comments

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  1. Pricila Blum

    Glá, o Pedro está numa fase super Sitio do Picapau Amarelo e ama a Emília. Minha irmã emprestou para ele a boneca Emília, da nossa época. Ele ficou enlouquecido e leva a Emília para todo lugar, levou para o Sesc e ficou brincando com ela…várias pessoas olharam estranho : um menino com uma boneca ? pois é…em casa que começamos a ensinar os valores que acreditamos…
    Beijo !

  2. madame trapo

    Oi Pri, que legal! Acho que a sociedade como um todo precisava relaxar com isso de brincadeiras terem gêneros.
    Fica tudo muito determinista, chato.
    Carrinho = Homem e Boneca = Mulher.

    Além de machista beira o preconceito, porque vem o pensamento, ou o comentário: “Nossa vai virar bichinha”.
    As pessoas nem percebem, dizem que é maneira de dizer, “brincadeira”, o que eu acho o pior dos mundos. É uma falta de percepção total!

    Fico feliz que o Pedro seja essa criança livre e linda que é! :D

  3. Andy Schmid

    Engenharia social em sua melhor forma, e vocês não se dão conta disso. Como já dizia aquele samba: “Força nenhuma do mundo interfere com o poder da Criação”. Duvido que mulher que se preze vá querer ao seu lado um homem todo “polenguinho”. Sim, ainda existem homens dignos desse nome – que são preparados desde cedo para serem o que a natureza (até biológica) mandam que sejam, sem serem veros trogloditas. Parem de pensar binariamente.

  4. Danielle

    Que post lindo! Se eu tiver um filho quero que ele tenha a liberdade de brincar com o que quiser e sempre explicarei tudo a ele. Eu e meu marido sempre conversamos sobre isso e ele pensa como eu e você. Não dá pra entender como, em um mundo tão carente de amor como este, as pessoas podem ainda influenciar tão negativamente, mesmo sem perceber, nas vidas dos seus pequenos. Tudo por preconceitos que não fazem o menor sentido…
    Lindo ler isto! E me foi enviado por meu cunhado :) Obrigada a vocês dois!

  5. madame trapo

    Obrigada Danielle, ficamos super felizes em compartilhar esse texto e receber esse feedback! Temos que cuidar para que nossas crianças sejasm livres e criativamente ativas! :D

  6. madame trapo

    OLá Andy, obrigada pelo comentário. Nós somos a favor da liberdade das brincadeiras infantis, das cores e de todo o universo que pertence as crianças e adolescentes em sua fase de maior aprendizado.

    Essa coisa de brincadeira ou cor de menino ou menina é muito limitante e acaba aumentando o julgamento e preconceito com pessoas e atitudes. É como dizer que menina não pode jogar futebol porque ela deixará de ser menina. Ou dizer que azul é uma cor só para menino.

    O melhor é manter a mente e o coração voltados para a amizade, companheirismo e o amor ao próximo! :)

  7. Juliana Freitas

    Francisco tem 2 anos e meio e uma boneca, que herdou de mim. Ele, hoje em dia, não dá muita bola pra ela, mas de vez em quando a faz dormir, diz que ela está chorando e com fome e dá a sua mamadeira pra ela ;))) A boneca está lá, junto aos brinquedos dele, pra ele brincar sempre que sentir vontade!

    Ele gosta de ‘cozinhar’ e faz uma bagunça com as minhas panelas. Outro dia saí pra procurar panelinhas para ele, e eu só encontro rosinha e cheia de florzinha (nada contra a ele ter brinquedos cor de rosa, mas nem eu e nem ele somos muito chegados à cor), voltadas para o público feminino (claro, pq só mulher pode cozinhar, e mulheres – todas elas – amam rosa! ¬¬)

    É irritante quando você chega em uma loja, diz que procura brinquedos para uma crianta de idade “x” e a vendedora pergunta: ‘menino ou menina’? (e aconteceu isso quando fui comprar uma maletinha de médico pra ele… que horror! nem a medicina é mais unissex!). Tudo separado, tudo tão limitador… :(((

  8. madame trapo

    Oi Juliana, obrigada pela visita e pelo comentário.
    É muito bom ver que existem pessoas como você que educam e brincam mais livremente, sem preconceitos. Isso do gênero ligada a cor e atividades profissionais é muito chato mesmo. Muitas vezes o ideal é criar você mesma os brinquedos porque o mercado não está preparado para atender uma demanda mais livre criativamente. Tudo é muito pasteurizado e limitado mesmo.
    Mas o importante é isso, deixar as crianças decidirem o que desejam brincar e desenvolver!
    beijos
    :*

  9. Francisco

    Não é difícil verificar que as Meninas gostem das brincadeiras ditas de Meninos: Jogar bola, taco, carrinhos de rolimãs, bolinhas de gude, jogo do bafo,skate e tantas outras brincadeiras. Como diz a Maioria, uma verdadeira MOLECA. Por isto é errado preconceituar quando Menino está brincando com alguma Boneca. Por se tratar de brinquedos/brincadeiras, isto não definirá a sexualidade na vida adulta. Tudo isto é NEURAS de Adultos. Hoje Adulto, se encontro uma Boneca que me agrade dou um jeito de consegui-la mas não deixei de ser Homem por causa disto já que no meu tempo(Infância) era sim, uma discriminação, um tabu caso me interessasse por Bonecas para brincar. Aprendi com a filhinha da Minha Grande Amiga a brincar com Barbies. Faz uma Festa quando chego de visita, derruba todas as 53 bonecas da Estante. É quase Obrigação Brincar junto e com as Bonecas dela e com Ela. Brincar é uma aventura. São poucas as amiguinhas dela que vão lhe visitar, talvez por isto, Ela elege alguém que brinque. Apresenta uma por uma das Bonecas que tem com orgulho. Lembro que na minha infância era fascinado por carrinhos, principalmente os de rolimã. Terminava alguma tarefa que tivesse que fazer, corria para as Lombas das calçadas, correr no meu possante carrinho de Lomba. Tempos felizes são estes os de nossa infância. Hoje Meninas também brincam de carrinho, por exemplo, os carrões que são da Barbie e de outras Bonecas. Não há que se fazer distinção entre brinquedo de Menino ou de Menina, cor rosa ou cor azul, tudo é mero preconceito. Brinquedos, brincadeiras estimulam a criatividade ainda na infância e desenvolvem uma mente sã para que se tornem Adultos Felizes.

  10. Julia

    E verdade menino brinca de boneca e deve aprender a ser um bom pai

  11. Fagner

    Bem, li todos os comentários e senti vontade de deixar o meu..rs Muito interessante o texto e o Livro! O que me deixa muito feliz é que apenas uma pessoa foi ”contra” as idéias ditas no texto, porém tal pessoa citou: “Força nenhuma do mundo interfere com o poder da Criação”, o que se você parar pra pensar é contraditório ao que ele mesmo disse!!
    Força nenhuma vai mudar a criança que já existe (conforme o que ele citou) o fato do menino ter vontade de brincar com a boneca ou a menina com carrinhos não vão inverte-lhes os sexos! Não vão os fazer mudar o que sentem! Crianças gostam de brincar , criar e tem curiosidade com tudo em sua volta, pois tudo a eles é novidade! É importante que os Pais desde cedo, participem de suas descobertas e os auxiliem na vida os orientando e não os taxando e limitando!!
    Espero ter um casal de filhos e que eles nasçam em um mundo melhor..

  12. madame trapo

    Olá Fagner, obrigada pelo comentário! :D

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