Encontrei um post no site “My Small Potates” (via Maternar Consciente), que mexeu muito comigo.

Isso porque ontem nasceu minha primeira sobrinha (é muito amor, gente! <3) e entre uma brincadeira e outra com os homens ali presentes, percebi como o mundo ainda esta muito machista.

A boneca de William é um livro de Charlotte Zolotow.

“A avó de William sorriu. “Ele precisa dela para abraçar, colocar no berço e levar para o parque de modo que quando ele crescer e for pai, ele saberá como cuidar de seu bebê.” William’s Doll by Chatlotte Zolotow.

Mesmo hoje essa idéia é desconfortável para muitas pessoas, imaginem então como isso foi revolucionário em 1972, quando o livro foi escrito.

A pergunta em questão é: porque ainda hoje essa idéia é desconfortável e estranha para muitas pessoas? Qual a melhor maneira de ajudar nossas crianças a serem pessoas mais carinhosas, pais cuidadosos, senão incentivando este tipo de brincadeira faz-de-conta?

São muitos os dilemas sociais sobre meninos brincarem com bonecas, o que eu realmente acho triste e atrasado. Num país tão machista e racista como o Brasil talvez estejamos ainda engatinhando nesse caminho de igualdade de deveres – e direitos- com as crianças.

Os meninos são excessivamente estimulados a brincadeiras agressivas, de luta, armas, carros. Depois de passar praticamente a infância inteira aprendendo somente isso, ainda queremos desses filhos, namorados, maridos, que eles sejam carinhosos, sensiveis e amáveis.

Queremos que este menino seja uma criança alegre e tranquila, um pai presente e carinhoso, mas nos esquecemos que de alguma forma estamos passando mensagens equivocadas sobre carinho e sensibilidade serem coisas de mulher.

Quando um garoto pega uma boneca, ele brinca, conversa com o bebê, dá mamadeira, troca a fralda, é natural. Mas se nessa hora alguém diz: “Que é isto? Menino brincando com boneca?”, seu rosto se fecha e ele fica com cara de decepção, de que fez coisa errada. E se esse menino chora depois dessa bronca, é possível que venha aquela velha e ridícula frase: “Menino não chora.”

Gente, o que estamos fazendo?

Devemos entender que brincar livremente é importante para o desenvolvimento infantil, independente do sexo da criança e da brincadeira. Se queremos um país mais justo, devemos párar de incentivar o preconceito e o machismo implícito em “brincadeiras”.

No post de Arlee, ela teve a oportunidade perfeita e contou para gente.
Ela estava cuidando de três meninos num final de semana; juntou três bonecas e tudo o que precisava para as brincadeiras: fraldas, xampu, mamadeira, roupinhas. E com o livro nas mãos leram juntos a historinha.

De início os meninos ficaram frustrados pois como William queria ganhar uma boneca de aniversário e seu irmão o chamou de maricas por influência de um garoto da vizinhança. A história continua com a avó de William ajudando-o a comprar sua boneca e tudo o que é necessário para cuidar de um bebê. Com isso, William fica aliviado e tranquilo e abraçava a sua nova boneca nos braços.

Com essa introdução à história, os três meninos e Arlee conversaram sobre os bebês e como eles precisam de amor e cuidados. Eles também falaram sobre como um dia eles podem ser pais e que precisam saber cuidar dos seus pequenos bebês. Ela conta que um dos meninos disse algumas qualidades que achava que poderiam torna-lo um bom pai e com isso tiveram uma grande conversa.

 

Outro menino falou que queria ser espião quando crescesse. Ela teve que tranquiliza-lo dizendo que ele poderia ser espião e um bom pai ao mesmo tempo…..hehehehhe

Eles brincaram de trocar as fraldas, de dar mamadeira, depois veio os arrotos; vocês imagimam como foi engraçado, particularmente para os meninos, essa parte com todos arrotando seus bebês.

Depois veio a hora do banho e o cuidado ao segurar a cabeça do bebê, e depois um pouco de carinho em seus slings.

Esse livro parece ser realmente maravilhoso e uma ótima oportunidade para conversar com os meninos sobre ser pai e sobre o cuidar. Mas tendo-o ou não em mãos, não deixem de brincar e conversar com as crianças sobre as responsabilidades da vida adulta. Você consegue passar, na linguagem da brindadeira, muito mais do que diversão. Você passa experiência, segurança e conhecimento.

Bom, muita coisa para pensar, né? Comente aqui para podermos continuar essa saudável discussão.
E como o dia dos “meninos crescidos” está chegando: Feliz Dia dos Pais!
:D