
Eu preciso urgente tomar umas aulinhas de crochet……
Sou uma pessoa auto-didata, eu sei…..a costura foi assim…..um livrinho aqui, uma revista japonesa ali, dicas das avós (minha avó paterna foi costureira de profissão), alguns horas de aula e ………..Pufff….se fez a magia das agulhas……
Mas o crochet ta dificirrr……Esse é o tipo de coisa que eu observo, tento, e não consigo…..na prática a coisa é bem mais complicada do que parece.
Incentivo não falta…ganhei até uma revistinha da Kiki, com fotos dos pontos passo-a-passo….mas tem algum neurônio meu que cisma em não colaborar.
Quero aprender a fazer um desses….lindos demais!
Quem tiver a disposição e paciência de me ensinar to aceitando aulas particulares…..hehehe

Goodbye sweet romance
I am flying away now
Je ne sais pas qu’est ce que c’est
Il faut que je parte mon avion va partir….
Bolsa em linho crú com detalhes em camurça (forro de flanela)

Bolsa em linho crú com detalhes em algodão importado (forro de chambrê)

Bolsa em fustão vermelho com detalhes em algodão importado (forro de chambrê)



Eu adoro ver como um simples pedaço de algodão toma forma. Acho mágico o ofício das mãos, verdadeiras ferramentas criativas.
Sou meio maníaca com esse tema….Mãos, mãos, mãos…….
Elas me dão muita segurança ………. dão asas pra imaginação voar solta e também me dão cocêgas nos pés pra pegar uma mochila e seguir estrada afora….elas me dizem que me viro em qualquer lugar……em qualquer cidade ou país….e que me viro muito bem…hihihihi
Esse corpinho é uma mistura de dois moldes e umas pitadas de glazita. Adoro as orelhas “de abano”…hahahah Ainda não sei quem é essa pessoa de pano, mas assim que sua história aparecer (assim como sua expressão e rostinho) coloco uma foto aqui no melhor estilo “Antes e Depois”.
Sábia Mãe Natureza……..conhecedora dos mistérios do tempo, das raízes e das flores.
Sol, Lua, luz e sombra…..recolhimento, expansão, recolhimento!

Os males dos tempos (pós) modernos são fáceis de enumerar: falta perspectiva de futuro, o mercado de trabalho é flexível e, portanto, inseguro, os vínculos profissionais, amorosos, afetivos e sociais são frágeis, e as pessoas conectam-se e desconectam-se como computadores em rede. O consumo é um novo Deus ao qual todos, se não aderimos por falta de dinheiro, pelo meno adoramos, como objetivo a ser alcançado. As novas tecnologias, mas não apenas elas, trouxeram a impressão acentuada de que o tempo está passando cada vez mais rápido. Nas empresas, como na vida, não há mais “longo prazo”. O mercado exige que cada um se reinvente a cada momento, como indica Richard Sennet no seu “A corrosão do caráter”: o importante é mudar, não se comprometer e não se sacrificar pelo outro, o que dilapida os laços de lealdade, confiança, comprometimento, integridade e ajuda mútua.
Angústia pela passagem do tempo também tem a ver com perspectiva de morte, excesso de valorização da juventude, ideal estético de beleza associado exclusivamente ao que é novo. Some-se a isso o peso da responsabilidade absoluta pela gestão da própria vida, sem o apoio de redes de proteção. Igreja, Estado, empresa e família deixaram de amparar ou proteger.
O resultado dessa complicada equação é a tentativa de querer fazer tudo cada vez mais rápido, como se cada minuto fosse decisivo para definir se seremos ou não felizes, bem-sucedidos e eficientes. Ser multifuncional, como as impressoras que também são scanner e copiadoras, e realizar pelo menos duas atividades ao mesmo tempo é pré-requisito para sentir-se produtivo, ativo, vivo. Ser multitarefa, como os computadores que rodam vários programas, tornou-se necessidade básica. Falar no celular a cada minuto livre, enquanto dirige (basta um bom viva-voz) ou enquanto caminha na rua é tão natural que ninguém se espanta mais em ver autômatos gesticulando sozinho pelas calçadas.
Não perder tempo é o imperativo do capitalismo global. Dessa pressa excessiva nasce o ansioso compulsivo, que não consegue ouvir uma frase do seu interlocutor até o final, acredita que tomar decisões imediatas é mais inteligente do que deitar sobre os travesseiros e pensar e, sobretudo, odeia o próprio silêncio. Falar compulsivamente no telefone durante as refeições feitas na rua só é substituído por comer diante da TV, fazendo da voz do aparelho a companhia perfeita para os que precisam evitar introspecção a qualquer custo. Estresse, mal do século, ansiedade, estado natural de qualquer morador de uma grande metrópole global, seja o Rio de Janeiro, onde a situação é acirrada pela violência, seja Nova York, onde uma refeição de uma família no MacDonalds dura em média 11 minutos.
A conta está no livro “Devagar – como um movimento mundial está desafiando o culto à velocidade”, do jornalista Carl Honoré (Record, R$ 39, 350p.). Confesso que custei a ler porque estava com pressa, ansiosa para dar conta de tantas outras tarefas, e que desconfiei não ter tempo de ler um livro me propondo andar devagar. “Como assim, devagar, se o mundo me exige cada vez mais pressa?”, me perguntava diante das 350 páginas do livro. É exatamente porque essa exigência externa se tornou insuportável, porque me sinto refém desse imperativo do tempo acelerado que se impõe em prazos inalcançáveis que decidi encarar o desafio da leitura. Se você estiver de má vontade com o tema, pode achar o texto mais ou menos óbvio (inclusive esse que eu estou escrevendo). Mas se você também está cansado desse clima de falsa eficiência, de se sentir pressionado por prazos inviáveis, e sobretudo se você não aguenta mais trabalhar ou conviver com gente que não ouve você terminar uma frase, então deite confortavelmente num sofá e leia “Devagar” (com ou sem jogo de palavras, você decide).
Honoré é um jornalista escocês que foi criado no Canadá e que hoje vive em Londres. Faz uma análise precisa e séria sobre o que o médico norte-americano Larry Dossey chamou de “doença do tempo”, essa permanente obsessão de achar que o tempo está fugindo, acabando. Embora seja um mal coletivo associado ao culto à velocidade, a “doença do tempo” tem entupido os consultórios médicos de pacientes acometidos por males ligados ao estresse: insônia, enxaqueca, hipertensão, asma, problemas de estômago são alguns exemplos. Mais do que uma forma de lidar com o tempo, Honoré defende que depressa ou devagar tem a ver com estilo de vida: agitado, controlador, impaciente ou cuidadoso, tranqüilo, reflexivo?
A idéia de que você pode escolher entre essas duas opções, ainda que isso possa representar ganhar um pouco menos – o próprio jornalista optou pela vida de free-lancer, o que reduziu sua remuneração – e encontrar o “tempo justo” é o melhor do livro. Ou seja, ser rápido quando fizer sentido ser rápido e ir devagar quando for necessário. A esta altura eu confesso que me desanimei: a questão não está justamente em conseguir fazer a diferença? Ou em evitar a contaminação do rápido, muitas vezes exigência de trabalho, em todas as áreas da vida? Como abandonar o vício da velocidade se, ao contrário do tabaco, cada vez mais proibido, a velocidade parece estar sendo estimulada em todos os lugares?
Ir devagar é valorizar qualidade e profundidade, é parar de surfar na superfície das coisas, é buscar satisfação de fato, e não aparência de sucesso. É, também, de certa forma, resistir às pressões do ritmo intenso que vende a ilusão de melhor aproveitamento do tempo, mas na verdade te rouba a oportunidade de desfrutar. O livro de Honoré só me confirmou uma idéia que venho defendendo há algum tempo: cada vez mais, ser normal é ser revolucionário. Em 2006, experimente ir mais devagar. Você vai gostar de ver que menos pode ser mais.
Essa coluna foi escrita em homenagem ao cardiologista Roberto Bueno de Paiva, que em 2005 me fez ir mais devagar e chegar a 2006 inteira.
FONTE:



cada galho pro seu lado
mas na cor das flores
nenhum discorda
(Alonso Alvarez)